Ex-primeira-dama afirma que até cultos domésticos foram proibidos na residência da família

A manifestação realizada neste domingo (7), na Avenida Paulista, em São Paulo, foi marcada pela emoção e pelas fortes declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Chorando diante da multidão, ela denunciou não apenas a situação de prisão domiciliar do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas também o que chamou de uma clara perseguição religiosa contra sua família.
Segundo Michelle, além das restrições impostas ao ex-presidente, como o uso de tornozeleira eletrônica e a vigilância constante de policiais nos arredores de sua casa, a própria liberdade de culto da família foi cerceada.
“Eu sempre fiz culto doméstico dentro da minha casa, mas hoje não posso mais. Preciso ir para a casa de outras pessoas para orar. Isso é perseguição à nossa fé. Pedi autorização para realizar cultos, mas não foi permitido”, afirmou, visivelmente emocionada.
Relatos de humilhação e vigilância constante
Durante o discurso, Michelle descreveu situações que classificou como “humilhantes”. Ela contou que sua casa é monitorada dia e noite por policiais e que até sua filha, de apenas 14 anos, tem sido exposta a constrangimentos.
“Todos os dias minha filha precisa abrir o carro para a polícia revistar, como se estivéssemos escondendo alguém. Eu mesma, ao chegar ou sair de casa, tenho meu veículo revistado. Isso é humilhação, isso fere a dignidade da nossa família”, denunciou.
Segundo Michelle, há policiais não apenas em frente à residência, mas também posicionados nas esquinas próximas, vigiando os movimentos de quem entra e sai. Para ela, trata-se de uma tentativa de constranger e silenciar o ex-presidente e sua família.
A dor de uma esposa e a fé de uma cristã
Entre lágrimas, a ex-primeira-dama afirmou que tem se desdobrado para cuidar do marido, da família e das responsabilidades políticas como presidente do PL Mulher. Ela destacou a fé como fonte de força em meio às dificuldades:
“Tenho que cuidar dele, da sua alimentação, trazer à memória que ele é o maior líder da direita do nosso país. Oro todos os dias para que ele se mantenha firme, porque não é fácil viver tudo isso. Mas nós acreditamos no verdadeiro juiz que está no trono.”
Michelle ressaltou que não se trata apenas de uma luta política, mas espiritual:
“Não é sobre um homem ou uma mulher, é sobre o que Deus tem para a nossa nação. Toda farsa e mentira cairão por terra. A nossa esperança está em Deus, e Ele vai mostrar quem são os verdadeiros inimigos desta nação.”
Críticas ao Judiciário e menção à “ditadura judicial”
No ato, Michelle também dirigiu palavras duras ao Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que a família tem sido alvo de arbitrariedades.
“Quem deveria estar aqui hoje era meu marido, mas ele está amordaçado dentro de casa, preso sem julgamento. Eu sei que a nossa nação vai ser livre dessa ditadura judicial. O choro dura uma noite, mas a alegria e a justiça vão raiar sobre o Brasil.”
Ela lembrou ainda do atentado sofrido por Jair Bolsonaro em 2018 e criticou a falta de respostas das autoridades. Segundo Michelle, se o mesmo empenho usado para incriminá-lo fosse aplicado na investigação do atentado, “tudo já estaria esclarecido”.
O papel da fé e o apoio popular
Apesar das lágrimas, Michelle reforçou que não desistirá, assim como não desistirá o povo que acredita na liberdade. Para ela, a presença de milhares de pessoas na Avenida Paulista é um sinal de que o movimento segue forte.
“Ver vocês aqui hoje consola o meu coração e é resposta de oração. Isso mostra que o povo brasileiro não desistiu da nossa nação. Nós não estamos aqui por um projeto de poder, mas pelo que Deus tem para o Brasil.”
Encerrando o discurso, a ex-primeira-dama convidou todos a orarem o Pai-Nosso, num momento de comunhão que emocionou a multidão presente.
Conclusão
A denúncia de Michelle Bolsonaro levanta um ponto sensível para os cristãos no Brasil: a restrição da liberdade religiosa dentro do próprio lar. Para a ex-primeira-dama, não se trata apenas de política, mas de um ataque direto à fé e aos valores que fundamentam a família. “Nós vamos vencer, porque estamos com a verdade e porque confiamos no Deus que está no trono”, disse, encerrando sua participação no ato.









